O mar não deixa pegadas
- marciaporcher.mp
- há 2 dias
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Os caminhos que trilhamos são muitos. Estradas perigosas, trilhas desafiadoras, retas seguras, curvas perigosas, trechos curtos e longos, rotas solitárias, caminhadas coletivas, trajetos silenciosos... o certo é que durante toda a vida, estamos em movimento. A dinâmica é a marca de nossa existência. As escolhas são necessárias e o tempo todo precisamos nos posicionar e escolher o caminho a seguir. Às vezes, continuamos no caminho que nos parece mais seguro, outras, mudamos a rota e nos arriscamos em novos rumos. Fernanda Montenegro, no livro “ Prólogo, ato, epílogo”, cita uma frase que aprendeu com sua avó: “ ...ao dobrar uma esquina, se estamos vivos – num absoluto mistério - , o melhor do que se espera do futuro nos alcança.”. O dinamismo, o mistério e a beleza da vida numa citação!

Nesta caminhada diária, vamos deixando marcas e sinalizando a rota. No entanto, quando caminhamos com os pés imersos no mar, não deixamos pegadas. O mar, em sua imensidão e mistério, absorve nossos passos e mostra que vivemos em um emaranhado de sentimentos e possibilidades. Assim como o mar, mudamos a cada dia. Às vezes mais calmos, outras mais ansiosos e revoltos. Nossas pegadas vão se misturando às nuances da vida e ao mistério da existência. Já não faz sentido o trajeto individual, pois somos parte de um todo existencial. Nossos passos se misturam aos de toda a humanidade e se irmanam com ela. E o mar, em toda a sua grandeza, ao mesmo tempo que nos transmite paz, nos impõe respeito e cautela. É o espelho da vida.
O caminho é incessante. Nossos passos são constantes. Mais do que marcas e pegadas, precisamos entender o nosso papel no mundo e caminhar em conexão com o universo e com todos os que dividem conosco esta aventura que é a vida.




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