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Aos meus afetos que se foram

Foto do escritor: marciaporcher.mp
marciaporcher.mp
há 7 minutos
1 min de leitura


A vida é feita de perdas. É o processo normal. Temos pequenas perdas ao longo da trajetória e, às vezes, perdas mais expressivas. Quando falamos em perder as pessoas que fazem parte de nossa família, aquelas com as quais convivemos diariamente, a sensação é terrível. Negamos esta possibilidade. Não imaginamos poder seguir o caminho sem elas. Evitamos pensar na possibilidade da separação, mesmo sabendo que ela é real. Embora tenhamos consciência de que a vida é, por si só, um risco, perder alguém nos parece algo intransponível.


                Sinto falta dos meus afetos que se foram. Os mais próximos, meu pai e meu marido. A partida é cruel, uma separação brusca que interrompe planos, sonhos e uma convivência diária. De uma hora para a outra, a vida muda a direção e abre um caminho totalmente novo. Os primeiros passos são dados de forma insegura, tentando entender como será o novo caminho. E, aos poucos, o tempo vai passando, os dias se sucedem e a vida continua. Não sem a presença constante de quem se foi. No início, a presença em forma de tristeza, angústia, incredulidade. Depois, em forma de lembrança, saudade e vínculo eterno.


                O certo é que os verdadeiros afetos continuam com a gente. Não há como romper o vínculo. Estão presentes a todo momento. As lembranças do que se viveu são indeléveis. E descobrimos que é possível sobreviver após a perda que nos fez desabar. O tempo nos ajuda a recomeçar. A presença do outro não é mais física, mas caminha ao nosso lado, pois amor e bem-viver permanecem para sempre. É o ciclo da vida!

 
 
 

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